vaga rosa
tão fraca que padece de anemia
vai rosa, vai longe com seus passos em pés cambaios
firma o pensamento e segue esse rumo
sem medo de ser infeliz
aposte na mega-sena e sonhe
não — grite para esquecer que a coisa vai mal
e aí, quem sabe, como um
passo de vodu
seu sapato ganhe sola nova
e seu pé pare de sangrar pelas unhas
vai rosa, plane e planeje um plano de fuga
não pense na sua anêmica fraqueza de amar o remendo
pense além daquele sol amarelo em céu branco
que te alimenta
que te fustiga
com seus raios de quebranto
e mau olhado que
causa queimaduras de milésimo grau
quando toca sua mente.
VAI ROSA!
VOA DAQUI INFERNO!
VAI BUSCAR QUEM TE AJUDE COM VONTADE!
(porque a única vontade que tenho é a de te aconselhar a ter um cão que lhe dê porrada em troca de realidade e lhe roube o volante da loteria que nunca será conferido)
vaga
cercada de cupins
sonhe com Ícaro
se amarre num balão e
toma teu rumo Rosa,
em direção ao incerto e ao desesperado despreparo
siga aquela nuvem à esquerda e suma no horizonte
siga aquela nuvem à direita e apareça de surpresa por cima da morte
não há dois caminhos possíveis quando só há um para seguir
Voa ROsa,
Escolhe seu lado
Põe sua opinião
Prepare-se para errar
Escolha o certo
Faça, cresça, busque, respire
Mostre ao mundo que seus olhos são maiores que seus dedos impuros
E que desses dedos
Não se espera nada
Seja homem ROSa
Coce a cara
cuspa o saco
pegue impulso e
saia do chão
Cure com vontade sua anemia
Deixe de ver
ROSA
E passe a ser
VERMELHA
Passe a estrela.
"'O conhecimento pelo conhecimento' — eis a última armadilha colocada pela moral: é assim que mais uma vez nos enredamos inteiramente nela." Friedrich Nietzsche
sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
Bilhete
A chuva lavou o sangue
Daqueles que pecaram por estarem parados
Um único momento
Não há vida que se pague em um segundo
Um momento
Derramada
A água lava minha angústia
Irrigando minha consciência
Lembrando que devo continuar andando
Daqueles que pecaram por estarem parados
Um único momento
Não há vida que se pague em um segundo
Um momento
Derramada
A água lava minha angústia
Irrigando minha consciência
Lembrando que devo continuar andando
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Dia de Chuva
Opa! Desculpe. Estou tão cheia de coisas e ainda mais essa chuva faz tudo ficar tão cheio, tão mais pesado, tão mais volumoso. Tô vindo da facú. Tive prova de ética, pensei tanto que ainda tô pensando. Na prova. Sabe eu nem sei como respondi àquelas perguntas, é tudo tão difícil. Como ter ética num país como o nosso? Tá mais pra superego do que ética né mesmo? Sabe. Daquele tal de Freud. Quem tem tem e nem sabe que tem. Meu cabelo tá tão encharcado, que saco, isso é que dá ter cabelo comprido. Bom é o do senhor que já está seco. Curto né? Cabelo de homem é mais fácil! Tudo pro homem é mais fácil. Arrumar emprego. Estudar. Namorar. Casar. Tudo. Na próxima encarnação quero ser homem. Ai que cansaço. Sabia que ainda chego em casa e tem coisa pra fazer? Só vou dormir lá pelas duas, isso porque acordo às seis. Fazer o quê? Nem sei mais daonde tiro forças. Acho que é da força das mulheres mesmo. Tô tão pensando na prova que não consigo nem dormir. Droga. Meu caderno molhou. Lembrei daquela música Losing my Religion que todo mundo pensava que o cara tava virando ateu só na facú é que me disseram que ele tava perdendo a paciência. Também tô sem paciência. Tá abafando. Parece que tá tudo fechado. Que coisa.
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Que horas sai esse ônibus hein?
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Que horas sai esse ônibus hein?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
São tão velhos
Caras............... DESAMASSADAS
Narizes ........... EMPINADOS
Braços.............. RÍGIDOS
Peitos................. DUROS
Olhos.................... PERDIDOS
São tão velhos
que precisam de colo
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